obesidade · Atualizado em · 1 min de leitura
Obesidade não é só IMC: o que mudou com a Lancet em 2025
Resposta direta
Em 2025, uma comissão da revista The Lancet Diabetes & Endocrinology propôs diagnosticar obesidade pelo excesso de gordura confirmado e pelo efeito dele no corpo, não pelo IMC sozinho. Nasceram dois termos: obesidade pré-clínica, quando os órgãos ainda funcionam bem, e obesidade clínica, quando já há alteração de função.
O IMC divide o peso pela altura ao quadrado. É rápido, barato e serve para comparar populações. Como exame de uma pessoa, ele erra para os dois lados: rotula gente saudável e deixa passar gente doente.
O que a comissão propôs
Em janeiro de 2025, a comissão reunida pela The Lancet Diabetes & Endocrinology publicou uma nova definição. Três pontos resumem a mudança.
1. Excesso de gordura precisa ser confirmado. Além do IMC, entra pelo menos uma medida de distribuição, como a circunferência da cintura, a relação cintura-quadril ou a relação cintura-altura. Ou a medição direta da gordura corporal, quando disponível. Acima de 40 kg/m², o excesso pode ser assumido.
2. Obesidade pré-clínica. Há excesso de gordura, mas os órgãos e tecidos funcionam normalmente. O risco de adoecer é maior, e a orientação é acompanhar e prevenir.
3. Obesidade clínica. O excesso de gordura já alterou a função de algum órgão ou sistema, com sinais, sintomas ou exames mostrando isso, ou já limita atividades básicas do dia a dia. Aqui a proposta é tratar como doença crônica.
Por que isso importa para você
A pergunta deixa de ser "quanto você pesa" e vira "o que esse peso está fazendo no seu corpo". Isso muda a conversa no consultório: cintura, exames, sono, articulações, capacidade de fazer as coisas do dia.
Vale também o contrário. Um IMC alto sem nenhuma alteração de função não é, por essa definição, uma doença instalada. É um alerta para cuidar antes que vire.
Onde o IMC ainda entra
Como ponto de partida. A calculadora de IMC deste blog mostra a sua faixa e diz, em cada resultado, o que o número não mede. O resto é conversa com o seu médico.
Publicado por Equipe SariDoctors
Fontes
Este blog tem caráter educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento. Cada caso pede avaliação individual. Em caso de dúvida sobre a sua saúde, procure um médico.
Continue lendo
Outros artigos do blog.

emagrecimento
Caneta de GLP-1 e massa muscular: o que a dose não resolve
Quem emagrece com caneta de GLP-1 perde gordura e também massa magra. Em uma revisão sistemática de ensaios clínicos, a massa magra respondeu por 25% a 39% do peso perdido. Sem treino de força e proteína suficiente, o corpo fica mais dependente da dose para segurar o resultado.
Ler o artigo
emagrecimento
O que acontece quando a caneta para
Nos ensaios clínicos que retiraram a medicação, o peso voltou. Um ano depois de parar a semaglutida, os participantes do STEP 1 tinham recuperado cerca de dois terços do que haviam perdido. Com a tirzepatida, quem trocou por placebo terminou com menos da metade da redução de quem seguiu no remédio. Obesidade se comporta como doença crônica: o remédio trata, a manutenção exige plano.
Ler o artigo